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Vamos lá pôr os pontos nos i's

Vamos lá pôr os pontos nos i's

Há uma coisa que já devíamos ter feito há muito tempo: explicar, de uma vez por todas, a diferença entre microvegetais, rebentos, germinados e baby leaves.

Percebemos a confusão. Para quem trabalha todos os dias com estes produtos, as diferenças parecem óbvias. Para quem olha e vê "umas plantas pequeninas", nem por isso. E a verdade é que, mesmo dentro do sector, há quem meta tudo no mesmo saco.

Pois não é tudo a mesma coisa.

São produtos diferentes, produzidos de forma diferente, colhidos em momentos diferentes e, muitas vezes, usados de forma diferente. Vamos então pôr os pontos nos i's.

Microvegetais. São provavelmente os mais conhecidos por aqui: plantas jovens, cultivadas a partir de uma semente e colhidas depois de desenvolverem as primeiras folhas verdadeiras (o momento exato varia de espécie para espécie). Ou seja, já não falamos de uma semente a germinar. Já existe uma pequena planta, com caule, folhas e identidade própria.

E aqui está uma das coisas mais interessantes: apesar do tamanho, já têm muito da planta adulta dentro de si. O sabor pode ser intenso, concentrado, por vezes surpreendentemente diferente do que se esperaria de algo tão pequeno. Por isso um micro coentro sabe a coentro, um micro manjericão sabe a manjericão, e um micro rabanete pode ter uma intensidade que não deixa grande margem para dúvidas.

Rebentos. Aqui a conversa já é outra. Um rebento é uma planta que começou a desenvolver-se a partir da semente, muitas vezes consumida com a própria semente, e apresenta normalmente uma pequena raiz, caule e estruturas ainda muito jovens. Pensamos logo em feijão mungo, ervilha ou alfafa, mas há muitos outros exemplos.

Germinados. São ainda mais pequenos, e correspondem a uma fase muito anterior do desenvolvimento da planta. A semente começou a germinar, e é precisamente nesse instante que é consumida. Ainda não há folhas desenvolvidas. Há apenas o momento em que a semente começa a acordar.

E é aqui que nasce boa parte da confusão:

Um germinado não é um microvegetal pequenino. Um microvegetal não é um germinado que cresceu mais. São fases diferentes da vida da mesma planta e, por isso, produtos diferentes.

Baby leaves. Talvez mais fácil de reconhecer, porque são exatamente o que o nome sugere: folhas jovens. Já estamos mais perto daquilo que normalmente imaginamos quando pensamos numa planta para comer. As folhas são maiores, a planta teve mais tempo para crescer e o produto é pensado para ser usado como folha, em saladas, guarnições e outras preparações.

Se quisermos simplificar, é uma espécie de viagem: a semente começa a germinar, temos um germinado. A planta continua a desenvolver-se, temos um rebento. Surgem as primeiras folhas verdadeiras, entramos no território dos microvegetais. Deixamos crescer um pouco mais, chegamos às baby leaves.

A natureza, claro, não trabalha com régua e cronómetro e há diferenças entre espécies e métodos de produção. Mas esta é uma boa forma de perceber o essencial.

E o essencial é este: o tamanho não é o que define cada um destes produtos. É provavelmente a maior confusão de todas.

Um microvegetal não é um vegetal adulto cortado pequeno. Uma baby leaf não é um microvegetal que deixámos crescer demasiado. Um germinado não é um microvegetal numa versão ainda mais pequena.

O que os distingue é a fase da vida da planta em que são colhidos e consumidos. Parece uma diferença pequena. Não é. Muda a textura, muda o sabor, muda a aparência, muda a forma como se conservam e, sobretudo, muda a forma como podem ser usados numa cozinha.

E é talvez isso que torna esta família de produtos tão interessante: estamos sempre a falar da mesma coisa, uma planta, em momentos diferentes da sua vida. É como comparar uma erva acabada de nascer com a mesma planta já crescida. A genética pode ser igual, mas aquilo que temos no prato pode ser completamente diferente.

Por isso, da próxima vez que alguém disser “isso é tudo germinado”, já podem responder "Não. Não é."

E agora já sabem porquê.

Nós demorámos um bocadinho a explicar, mas mais vale tarde do que nunca. :)

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